Bem-Estar Corporativo

Resolução de conflitos no trabalho: como agir em 6 etapas

Última alteração 5 de out. de 2026

Tempo de leitura: 13 minutos
Profissionais reunidos ao redor de uma mesa com notebooks e anotações, enquanto um homem gesticula durante a conversa.

A resolução de conflitos no trabalho começa com uma conversa para entender o que aconteceu, ouvir as pessoas envolvidas e combinar o que precisa mudar. Para chegar a uma solução, defina ações com responsáveis e prazos e acompanhe os resultados. O RH e as lideranças podem apoiar esse processo, considerando os fatos e ajudando a construir acordos viáveis.

Uma entrega atrasada, uma cobrança pouco clara ou prioridades diferentes entre áreas podem gerar atritos. Nessas situações, descobrir o que está dificultando a colaboração ajuda a escolher o próximo passo. Pode ser necessário ajustar a comunicação, redistribuir tarefas ou esclarecer quem toma determinada decisão. Já os relatos de assédio, discriminação ou ameaças exigem acolhimento e apuração pelos canais adequados.

A seguir, veja como reconhecer as causas, conduzir conversas difíceis e identificar quando o RH deve participar.

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O que é resolução de conflitos no trabalho?

Resolução de conflitos no trabalho é o processo de lidar com divergências profissionais e encontrar uma forma de seguir trabalhando com respeito e clareza sobre as responsabilidades. Isso pode acontecer em uma conversa direta, em uma negociação ou com a ajuda de uma pessoa imparcial para mediar o diálogo.

As pessoas não precisam concordar em tudo para colaborar. Uma equipe pode ter opiniões diferentes sobre um projeto e, ainda assim, definir como a decisão será tomada e o que cabe a cada participante.

Imagine que a área comercial prometa uma entrega em um prazo que a operação não consegue cumprir. Para resolver o impasse, as equipes precisam conferir a capacidade disponível, rever o compromisso e combinar quem validará os próximos prazos. Pedir apenas que todos “se entendam” deixa essas questões em aberto.

Antes de propor uma conversa para resolver o impasse, observe como as pessoas estão sendo tratadas. Discordar sobre um prazo é diferente de humilhar ou ameaçar alguém durante a cobrança. A cartilha do Ministério do Trabalho e Emprego sobre violência e assédio no trabalho, publicada em 2025, esclarece que divergências e cobranças respeitosas não constituem, por si só, assédio moral. Já relatos de humilhação, ameaça ou isolamento precisam de acolhimento e avaliação pelos canais responsáveis da empresa. 

Reconhecer essa diferença ajuda a decidir se cabe negociar um acordo ou encaminhar a situação para apuração.

O que pode causar conflitos no trabalho?

Conflitos no trabalho podem surgir de falhas na comunicação, responsabilidades pouco claras, prioridades diferentes ou dificuldades para dividir demandas e recursos. Por isso, vale olhar tanto para as relações entre as pessoas quanto para a forma como as atividades estão organizadas.

A tabela a seguir mostra como essas situações aparecem e quais perguntas ajudam a entendê-las:

Possível causa

Como aparece na rotina

O que perguntar

Responsabilidades pouco claras

Duas pessoas fazem a mesma tarefa ou uma entrega fica sem responsável.

Quem executa, quem aprova e quem precisa ser consultado?

Prioridades incompatíveis

Áreas pedem que a mesma equipe priorize entregas diferentes.

Como decidir o que vem primeiro?

Falhas na comunicação

Uma mudança chega tarde ou uma orientação é entendida de formas diferentes.

A informação chegou a todos? Houve confirmação de entendimento?

Disputa por recursos

Equipes precisam do mesmo orçamento, equipamento ou apoio profissional.

Como os recursos são distribuídos e quem decide seu uso?

Distribuição desigual de demandas

Uma pessoa acumula tarefas enquanto outras têm disponibilidade.

A divisão considera o volume, a complexidade e o tempo necessário?

Diferenças na execução

Profissionais discordam sobre qualidade, autonomia ou forma de entregar.

Quais critérios foram combinados e quais ainda precisam ser esclarecidos?

Antes de concluir que alguém é “difícil de lidar”, observe se o mesmo problema acontece com outras pessoas. Uma regra confusa ou uma aprovação sem responsável pode continuar gerando atritos mesmo depois de uma conversa entre colegas.

A cartilha do MTE recomenda metas, regras e responsabilidades claras, além de preparo das lideranças para administrar conflitos. Esses pontos ajudam você a identificar mudanças que estão ao alcance da empresa.

Como conduzir a resolução de conflitos no trabalho?

Para conduzir a resolução de conflitos no trabalho, organize a conversa em seis etapas: entenda o que aconteceu, escute os envolvidos, identifique suas necessidades, avalie soluções, registre o acordo e acompanhe os resultados. Esse caminho ajuda a tratar divergências que podem ser resolvidas por diálogo e negociação.

A seguir, veja como aplicar cada etapa, com perguntas e exemplos para apoiar a conversa.

  1. Entenda o que aconteceu

Comece por uma situação específica: o que aconteceu, quando e como isso afetou o trabalho. Expressões como “falta de comprometimento” ou “dificuldade de trabalhar em equipe” dizem pouco sobre o problema que precisa ser resolvido.

Você pode abrir a conversa assim: “o arquivo chegou depois do horário combinado, e precisamos adiar a revisão. O que aconteceu?”. A pergunta apresenta o fato e dá espaço para entender o contexto.

Confira também se o prazo e as expectativas estavam claros para todos. Às vezes, a cobrança parte de um combinado que não foi confirmado.

  1. Escute as pessoas envolvidas

Escolha um momento reservado, em que as pessoas possam falar sem exposição diante da equipe. Se houver muita tensão ou versões diferentes, converse individualmente antes de avaliar um encontro conjunto.

Algumas perguntas ajudam a esclarecer a situação:

  • Como você entendeu o que havia sido combinado?
  • O que dificultou o cumprimento desse acordo?
  • Que informações ainda precisamos conferir?

Ao ouvir, separe o que aconteceu da interpretação sobre o episódio. “Minha mensagem ficou sem resposta” descreve uma ocorrência. “A pessoa quis me prejudicar” atribui uma intenção que ainda precisa ser verificada.

Dê espaço para todas as versões e considere as evidências disponíveis ao avaliar cada relato.

  1. Identifique o que cada pessoa precisa

Procure entender o motivo por trás de cada pedido. Quem solicita atualizações frequentes pode precisar responder a um cliente. Quem recebe essas solicitações pode estar tendo dificuldade para se concentrar com tantas interrupções.

Uma pergunta pode ajudar os dois lados a avançar: “como podemos manter o cliente informado e garantir tempo para executar a entrega?”.

Peça que cada pessoa explique o que precisa para cumprir suas responsabilidades e onde consegue fazer ajustes. Isso amplia as opções para chegar a um acordo.

  1. Avalie soluções que funcionem na rotina

Com as necessidades mais claras, discutam o que pode ser feito. Rever um prazo, ajustar uma aprovação ou combinar horários para atualizações são algumas possibilidades.

Antes de escolher, confira se a proposta pode ser colocada em prática:

Critério

Pergunta para avaliar a solução

Viabilidade

Temos tempo, recursos e autonomia para cumprir o combinado?

Responsabilidade

Cada pessoa sabe o que precisa fazer?

Equidade

A divisão do esforço considera as condições e responsabilidades de cada um?

Acompanhamento

Como vamos saber se o ajuste funcionou?

Se a decisão depender de outra liderança, apresente as alternativas e o que cada uma implica. Confirme a autorização antes de assumir um compromisso em nome da equipe.

  1. Registre o que foi combinado

Um acordo útil deixa claro o que será feito, por quem, até quando e como as dificuldades serão comunicadas. “Melhorar a comunicação”, por exemplo, precisa ser traduzido em uma ação.

O registro pode ser simples: “a pessoa responsável pela análise enviará uma atualização às terças e quintas. Se perceber risco de atraso, avisará a liderança assim que identificar a dificuldade”.

Compartilhe o combinado com os participantes e confirme se todos entenderam da mesma forma. Mantenha o acesso restrito a quem precisa acompanhar as ações, preservando os relatos pessoais da conversa.

  1. Confira o que mudou

Marque uma data para revisar o acordo, considerando o tempo necessário para colocá-lo em prática. Pergunte o que funcionou, o que ainda está difícil e se o problema voltou a acontecer.

Observe mudanças concretas: as respostas chegaram no prazo? A aprovação passou a ter um responsável? As interrupções diminuíram?

Se alguma ação não foi cumprida, entenda o motivo. Pode ter faltado um recurso, o combinado pode ter sido entendido de outra forma ou alguém pode ter se recusado a seguir a orientação. A resposta a cada situação será diferente.

Com essa revisão, você pode manter o acordo, ajustar o que não funcionou ou buscar apoio para dar continuidade ao caso.

Quando o RH deve intervir em um conflito?

O RH deve participar quando a liderança está envolvida no conflito, as tentativas de acordo não funcionam ou há relatos que precisam de apuração. O apoio também é importante quando a solução depende de diferentes áreas ou de decisões que os envolvidos não podem tomar sozinhos.

Para escolher o próximo passo, considere a gravidade da situação e se as pessoas têm condições de conversar com segurança. Veja como encaminhar cada caso:

Situação

Como o RH pode atuar

A liderança está envolvida no conflito

Buscar alguém sem envolvimento no episódio para conduzir a análise.

O acordo anterior não resolveu o problema

Entender o que não funcionou e avaliar se uma mediação pode ajudar.

O conflito envolve diferentes áreas

Reunir pessoas com autonomia para ajustar decisões e compromissos.

Há receio de retaliação

Oferecer um canal reservado e avaliar medidas para proteger quem apresentou o relato.

Há relatos de assédio, discriminaçãoou ameaças

Seguir o procedimento de acolhimento e apuração, com apoio das áreas responsáveis.

Se houver relato de violência, evite pressionar a pessoa a conversar diretamente com quem foi apontado. A cartilha do Ministério do Trabalho e Emprego orienta a criação de canais de denúncia, a preservação da confidencialidade e a proteção das pessoas assediadas. Compartilhe as informações apenas com quem precisa atuar no caso.

Também vale conferir como a situação ficou depois da intervenção. Em uma pesquisa do National Centre for Social Research, realizada para a Acas e publicada em novembro de 2025, 31% dos conflitos relatados permaneceram predominantemente ou completamente sem resolução. O dado se refere à Grã-Bretanha, mas, para a sua empresa, fica uma pergunta prática: o atendimento terminou porque o problema foi resolvido ou porque ninguém voltou a falar sobre ele?

Ouça os envolvidos e verifique se eles conseguem seguir trabalhando sem a dificuldade que motivou o relato. Esse retorno ajuda o RH a decidir se ainda há algo a fazer.

Como prevenir conflitos no trabalho?

Para prevenir conflitos no trabalho, estabeleça regras de convivência, ofereça espaço para comunicar dificuldades, prepare as lideranças e observe o que se repete entre os casos. Essas medidas ajudam a equipe a lidar com discordâncias antes que elas prejudiquem as relações.

Veja quatro formas de colocar esse cuidado em prática.

Estabeleça regras de convivência

Combine como as pessoas devem se posicionar em reuniões, mensagens e feedbacks. Questionar uma proposta com argumentos, respeitar a vez de falar e fazer cobranças sem expor alguém são exemplos de comportamentos esperados.

Esses combinados precisam valer para todos, inclusive para a liderança. Se houver uma interrupção ou comentário desrespeitoso, intervenha e explique como aquela interação deve ser conduzida. A equipe precisa perceber que as orientações também são aplicadas no dia a dia.

Ofereça espaço para comunicar dificuldades

Nas conversas individuais, pergunte sobre situações que dificultam a colaboração. Você pode usar perguntas como: “há alguma decisão que você não consegue encaminhar?” ou “alguma interação tem dificultado seu trabalho?”.

Explique também a quem recorrer quando o problema envolver o próprio gestor. Ter outra opção de contato permite que a pessoa busque apoio sem depender de quem está envolvido na situação.

Ao receber uma preocupação, informe o que acontecerá em seguida e quando você dará um retorno. Isso ajuda a pessoa a acompanhar o encaminhamento, sem precisar repetir o relato para conseguir uma resposta.

Prepare as lideranças para conduzir conversas

Use situações práticas para exercitar conversas sobre discordâncias, feedbacks e decisões difíceis. Em um treinamento, por exemplo, apresente duas versões de um episódio e peça que o gestor identifique o que ainda precisa perguntar antes de decidir como agir.

Inclua orientações sobre quando buscar ajuda. A liderança precisa reconhecer tanto as situações em que pode facilitar um acordo quanto aquelas que exigem apoio do RH ou de uma área especializada.

Observe o que se repete entre os casos

Analise os registros em conjunto, preservando a identidade dos envolvidos. Procure entender se as dificuldades se concentram em uma etapa do trabalho, na relação entre áreas ou em uma prática de gestão.

Se os atritos aumentam após mudanças de escala, por exemplo, confira como essas alterações são comunicadas e se existe espaço para apresentar dificuldades. A partir disso, escolha um ajuste e acompanhe se ele reduz a repetição do problema.

Como o bem-estar pode apoiar a resolução de conflitos no trabalho?

Oferecer recursos de bem-estar é uma forma de apoiar quem enfrenta desgaste emocional durante um conflito. Esse cuidado deve acompanhar as ações para resolver o problema, como rever processos, ajustar decisões e lidar com condutas inadequadas.

Essa oferta também se relaciona com a percepção de cuidado na empresa. No levantamento global do Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, do Wellhub, 77% dos profissionais com acesso a programas de bem-estar percebem que o RH se preocupa com sua saúde e qualidade de vida, contra 38% entre quem não conta com essas iniciativas.

Na sua equipe, esse apoio pode começar com uma conversa reservada sobre os recursos disponíveis. Se a pessoa estiver enfrentando sofrimento emocional, apresente as opções de apoio psicológico, respeite sua decisão sobre utilizá-las e preserve sua privacidade.

Para incorporar esse cuidado à rotina, escute as necessidades da equipe e verifique o que pode dificultar o uso dos recursos, como horários ou falta de informação. Ofereça opções variadas e acompanhe também os ajustes combinados para resolver o conflito.

Perguntas frequentes sobre resolução de conflitos no trabalho

Qual é a diferença entre negociação e mediação de conflitos?

Na negociação, as pessoas envolvidas discutem diretamente as condições de um acordo. Na mediação, alguém imparcial ajuda a organizar o diálogo e a explorar soluções, sem impor uma decisão. Essa pessoa não deve ter interesse no resultado da disputa.

O que fazer quando alguém não quer participar da conversa?

Converse em particular para entender o motivo. Pode haver receio de exposição, retaliação ou falta de confiança em quem vai conduzir o encontro. Considere conversas separadas ou outro responsável pelo processo. Quando houver uma denúncia, seu encaminhamento não deve depender da participação em uma reunião conjunta.

Como lidar com conflitos em equipes remotas?

Se a troca de mensagens estiver gerando dúvidas ou aumentando a tensão, avalie uma conversa por áudio ou vídeo. Combine um horário adequado para os participantes e, depois, registre a decisão por escrito. Confirme se todos entenderam o que ficou sob sua responsabilidade.

Como abordar um conflito com o próprio gestor?

Quando houver segurança para conversar diretamente, apresente um episódio específico, explique como ele afetou seu trabalho e proponha um ajuste. Se você temer retaliação ou quiser relatar uma conduta abusiva, procure o RH ou o canal indicado pela empresa. O caso deve ser avaliado por alguém sem envolvimento na situação.

Como saber se um conflito foi resolvido?

Confira se os compromissos foram cumpridos, se o problema parou de acontecer e como ficou a colaboração entre os envolvidos. Observe também possíveis efeitos posteriores, como exclusão ou tratamento hostil. O que mudou na rotina importa tanto quanto o encerramento do atendimento.

Cuide do bem-estar de quem enfrenta conflitos no trabalho

Conversas difíceis e relações desgastadas podem pesar na rotina da equipe, mesmo depois de um acordo. Além de acompanhar a solução, você pode ampliar o apoio à saúde física e emocional das pessoas envolvidas.

Um programa de bem-estar oferece diferentes formas de cuidado, de acordo com as necessidades de cada profissional. Com o Wellhub, sua equipe acessa opções de terapia, meditação, atividade física, nutrição e sono em uma única assinatura. Esses recursos complementam o trabalho do RH para acolher as pessoas e tratar as causas dos conflitos.

Converse com um especialista do Wellhub para ampliar as opções de cuidado e apoiar o bem-estar da sua equipe.

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Referências


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Wellhub Editorial Team

A Equipe Editorial do Wellhub traz aos líderes de RH as informações necessárias para promover o bem-estar dos colaboradores. Em um cenário profissional em rápida evolução, nossas pesquisas, análises de tendências e guias práticos são ferramentas importantes para levar cada vez mais satisfação e saúde ao ambiente de trabalho.


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