Bem-Estar Corporativo

Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027: por que o avanço da IA exige mais apoio às pessoas

Última alteração 15 de out. de 2026

Tempo de leitura: 9 minutos
Mulher sentada usando celular e fones sem fio.

O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027, do Wellhub, revela uma tensão no trabalho: os profissionais que mais integram a inteligência artificial à rotina relatam mais confiança na segurança do próprio emprego, mas também mais sobrecarga. Para as empresas, acompanhar essa transformação exige olhar para as ferramentas e para o apoio oferecido a quem as utiliza.

Em sua quinta edição, o estudo ouviu 5.021 colaboradores de dez países e investigou como o domínio de IA se relaciona com bem-estar, resiliência e experiência no trabalho. Os resultados mostram diferenças entre quem se sente preparado para usar a tecnologia e quem ainda está construindo essa confiança.

Essas diferenças colocam uma pergunta no centro da estratégia de RH: as pessoas estão recebendo as condições necessárias para acompanhar as mudanças?

Orientação sobre IA, apoio da liderança e oportunidades reais de cuidar da saúde fazem parte dessa conversa. A seguir, conheça os principais resultados do levantamento e o que eles indicam para as empresas.

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O domínio de IA está associado à confiança no trabalho

Usar inteligência artificial com frequência e sentir confiança para incorporá-la ao trabalho são experiências diferentes. Para compreender essa relação, o Wellhub criou o Índice de domínio de IA, que combina frequência de uso, confiança na tecnologia e grau de concordância com afirmações sobre esse domínio.

A partir desse indicador, a pesquisa identificou três grupos:

  • Iniciantes em IA (26%): nunca usaram ferramentas de IA ou apenas experimentaram, muitas vezes com ansiedade associada.
  • Adeptos da IA (32%): usam a tecnologia com frequência, mas ainda não têm total confiança para integrá-la ao trabalho.
  • Pioneiros em IA (41%): utilizam a IA como parte central das atividades e ajudam os colegas a fazer o mesmo.
Segmentos de adoção de IA no Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027: 26% são iniciantes, que nunca usaram ou apenas experimentaram; 32% são adeptos, que usam com frequência, mas ainda sem total confiança; e 41% são pioneiros, que integram a IA ao trabalho e ajudam colegas.

A diferença entre esses perfis aparece na percepção sobre o futuro profissional. Entre os pioneiros, 53% afirmam que sua segurança no emprego melhorou em relação ao ano anterior, contra 22% dos iniciantes.

A resiliência segue o mesmo padrão: 87% dos colaboradores que se sentem capacitados para trabalhar com IA se consideram resilientes, contra 45% daqueles que não se sentem preparados.

Para o RH, esses resultados reforçam a importância de considerar diferentes níveis de preparo durante a adoção da tecnologia. Oferecer tempo para aprender, treinamento e apoio ajuda as pessoas a desenvolver confiança para incorporar a IA à rotina.

Mas essa confiança conta apenas uma parte da história. Os profissionais que mais integram a tecnologia ao trabalho também relatam pressões que merecem atenção.

Quem mais usa IA também sente mais sobrecarga

Ganhar confiança no uso da inteligência artificial não significa ter uma rotina mais leve. Segundo o Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027, 40% dos pioneiros afirmam que a IA aumentou sua carga de trabalho, contra 15% dos iniciantes.

Os sintomas de burnout também aparecem com maior frequência entre os profissionais que mais integram a tecnologia às atividades. Entre os pioneiros, 24% relatam esses sintomas todos os dias. A proporção é de 22% entre os adeptos e 16% entre os iniciantes.

Percentual de colaboradores que relatam sintomas de burnout diariamente, por segmento de adoção de IA: 16% dos iniciantes, 22% dos adeptos e 24% dos pioneiros.

Ao mesmo tempo, os pioneiros relatam mais apoio para cuidar de si. Nesse grupo, 41% praticam uma atividade de bem-estar pelo menos uma vez por dia, contra 24% dos iniciantes. O suporte da liderança também é mais presente: 60% recebem apoio ativo dos gestores para cuidar do bem-estar, ante 31% dos iniciantes.

Esses resultados mostram que confiança, hábitos de cuidado e sobrecarga podem coexistir. Mesmo entre quem dispõe de mais recursos para enfrentar as mudanças, o desgaste continua presente.

Para as empresas, isso reforça a importância de acompanhar como a adoção de IA está mudando as expectativas de entrega e a organização das tarefas. O apoio ao bem-estar precisa encontrar espaço em uma agenda que também permita utilizá-lo.

A relação com a permanência na empresa torna essa discussão ainda mais relevante. No levantamento, 83% dos colaboradores considerariam sair de uma organização que não prioriza o bem-estar. Essa proporção chega a 87% entre os pioneiros, comparada a 84% entre os adeptos e 73% entre os iniciantes.

A disposição para permanecer, portanto, merece tanta atenção quanto a capacidade de acompanhar a transformação tecnológica.

O sono e as conexões sociais revelam outros pontos de atenção

Na amostra global, 55% dos colaboradores avaliam seu bem-estar geral como bom ou excelente. Ao observar os aspectos que compõem essa experiência, porém, o estudo revela diferenças.

O bem-estar físico recebe avaliação positiva de 57% dos participantes, seguido pelo mental, com 56%. A nutrição fica em 42%, enquanto a qualidade do sono apresenta o resultado mais baixo: 35%.

O sono também é o único desses pilares que continua em queda, abaixo dos 38% registrados no levantamento anterior. Além disso, 30% dos profissionais afirmam que o tempo de tela está prejudicando seu descanso — o único fator de impacto negativo que piorou a cada ano desde 2025.

Os pioneiros apresentam avaliações melhores de bem-estar físico, mental, nutrição e sono do que os demais grupos. Ainda assim, mesmo entre eles, menos da metade avalia positivamente a qualidade do descanso.

Percentuais de avaliação boa ou excelente entre iniciantes, adeptos e pioneiros em IA, respectivamente: bem-estar físico, 44%, 53% e 68%; bem-estar mental, 42%, 52% e 68%.
Percentuais de avaliação boa ou excelente entre iniciantes, adeptos e pioneiros em IA, respectivamente: nutrição, 28%, 37% e 55%; qualidade do sono, 25%, 33% e 44%.

Nas conexões sociais, o padrão muda. Entre os pioneiros, 48% dizem que a IA reduziu suas interações com colegas, mais que o dobro dos 22% registrados entre os iniciantes.

Pequenas trocas do dia a dia podem dar lugar ao uso da tecnologia: tirar uma dúvida com um colega, pedir uma revisão de texto ou consultar alguém sobre dados são atividades que passam a ser resolvidas com IA.

Essas mudanças merecem atenção na organização do trabalho. Além de acompanhar as entregas, as empresas precisam preservar espaço para descanso, convivência e colaboração na rotina.

O apoio para lidar com essas novas demandas, porém, ainda não chega da mesma forma a todos.

O apoio ainda não chega a quem mais precisa

Os profissionais que estão começando a usar inteligência artificial também são os que relatam menos orientação e suporte. O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027 identifica essa diferença em três frentes: políticas de IA, apoio dos gestores e programas de bem-estarque as pessoas conseguem utilizar.

Na amostra global, 34% dos colaboradores afirmam que a empresa não tem uma política formal de IA. Essa ausência é mais frequente entre os iniciantes: 44% relatam não contar com uma política, contra 26% dos pioneiros.

A clareza das orientações também está associada à capacidade de enfrentar mudanças. Em empresas com uma política de IA clara e bem comunicada, 77% dos profissionais se sentem resilientes e capazes de se adaptar. Entre aqueles que não sabem se existe uma política, a proporção cai para 39%.

Para o RH, esses resultados indicam a importância de verificar como as orientações chegam às equipes. Quem ainda está construindo confiança para usar a tecnologia precisa compreender as regras e saber onde buscar apoio.

Entre iniciantes, adeptos e pioneiros em IA, respectivamente, 44%, 36% e 26% afirmam que a empresa não tem uma política formal de IA. O apoio ativo da liderança ao bem-estar é relatado por 31%, 42% e 60% desses grupos.

O gráfico reúne duas dimensões que precisam caminhar juntas: orientação para trabalhar com a tecnologia e suporte para cuidar das pessoas durante essa adaptação. Como mostram as diferenças entre os grupos, a experiência de apoio ainda é desigual.

Os programas de bem-estar precisam caber na rotina

Disponibilizar um programa é uma parte da estratégia. Outra é garantir que as pessoas encontrem condições para participar.

No levantamento, apenas 26% dos colaboradores avaliam o programa de bem-estar da empresa como bom, abaixo dos 29% registrados no ano anterior e dos 41% de dois anos antes.

Uma barreira ajuda a contextualizar essa queda: 46% dizem que a empresa não oferece tempo nem espaço na jornada de trabalho para utilizar o programa.

O resultado coloca a experiência de uso no centro da conversa. Um benefício pode estar disponível, mas continuar distante da rotina de quem enfrenta uma agenda sem espaço para o cuidado.

Para o RH, vale investigar o que acontece entre a oferta e a participação. As equipes conhecem os recursos disponíveis? Conseguem utilizá-los? A organização do trabalho e as práticas da liderança favorecem esse cuidado?

Essas perguntas ajudam a avaliar se o apoio oferecido encontra espaço no dia a dia. Também permitem olhar para quem participa pouco sem presumir que a falta de adesão representa falta de interesse.

O desafio é conectar os recursos às condições reais de uso. A comparação entre profissionais com Wellhub e aqueles com outros programas acrescenta uma perspectiva sobre essa experiência.

O Efeito Wellhub aparece no bem-estar e na experiência de trabalho

Os colaboradores de empresas que oferecem Wellhub relatam avaliações melhores em todos os aspectos de bem-estar comparados pelo estudo com os de empresas que disponibilizam outros programas.

Entre os profissionais com Wellhub, 67% avaliam seu bem-estar geral como bom ou excelente, contra 51% daqueles com outros programas. A diferença também aparece no bem-estar físico, com 69% e 52%, respectivamente, e no mental, com 68% e 51%.

Na qualidade do sono, o aspecto com a avaliação mais baixa na amostra global, a distância é especialmente expressiva: 55% dos colaboradores com Wellhub consideram seu sono saudável ou muito saudável, ante 28% daqueles com outros programas. Na nutrição, as proporções são de 59% e 36%.

Comparação das avaliações positivas de colaboradores com e sem Wellhub, respectivamente: bem-estar mental, 68% e 51%; bem-estar físico, 69% e 52%; forma física, 66% e 42%; nutrição, 59% e 36%; bem-estar geral, 67% e 51%; qualidade do sono, 55% e 28%.

Esses resultados representam diferenças nas percepções dos grupos pesquisados. Por si só, não demonstram que o programa foi a causa dessas avaliações.

O Wellhub reúne opções de atividade física, mindfulness, nutrição e sono em uma única assinatura. Essa variedade permite atender a diferentes necessidades, tanto de quem está retomando uma atividade quanto de quem já mantém uma rotina de cuidado.

As diferenças também aparecem na forma como as pessoas vivenciam o trabalho. Entre os colaboradores com Wellhub, 76% se sentem capazes de acompanhar o ritmo das mudanças, contra 57% daqueles com outros programas. Além disso, 70% dizem estar felizes ou muito felizes no trabalho, em comparação com 43% do outro grupo.

Entre colaboradores com e sem Wellhub, respectivamente, 71% e 32% afirmam que o bem-estar faz parte da rotina operacional da empresa; 76% e 57% se sentem capazes de acompanhar as mudanças; e 70% e 43% estão felizes ou muito felizes no trabalho.

A leitura conjunta desses indicadores reforça a importância de considerar o cuidado com as pessoas na estratégia de transformação. A experiência com a tecnologia acontece dentro de uma rotina que também precisa comportar movimento, alimentação, descanso e convivência.

Como transformar os resultados em prioridades para o RH

O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027 mostra que o avanço da IA convive com experiências muito diferentes de confiança, sobrecarga e apoio. Para as lideranças de RH, os resultados ajudam a orientar cinco prioridades:

  • Apoiar diferentes níveis de domínio de IA: considerar as necessidades de quem está começando, de quem já usa a tecnologia e de quem ajuda colegas a utilizá-la.
  • Comunicar políticas com clareza: tornar as orientações compreensíveis e conhecidas pelas equipes.
  • Acompanhar a sobrecarga: observar como a adoção das ferramentas se relaciona com novas demandas e expectativas de entrega.
  • Envolver os gestores no cuidado: aproximar o apoio da liderança das dificuldades vividas no dia a dia.
  • Criar condições para utilizar os programas: avaliar se as pessoas têm tempo e espaço para acessar os recursos oferecidos.

O estudo aponta para uma questão que deve acompanhar a adoção de novas ferramentas: o apoio às pessoas está evoluindo junto com as mudanças no trabalho?

Preparar as equipes para usar IA e criar condições para cuidar do bem-estar são responsabilidades que precisam caminhar juntas. Essa combinação pode orientar uma transformação mais atenta à experiência de quem a sustenta todos os dias.

Baixe o Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027 e explore os dados e insights do estudo completo para orientar a estratégia de bem-estar da sua empresa.


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Wellhub Editorial Team

A Equipe Editorial do Wellhub traz aos líderes de RH as informações necessárias para promover o bem-estar dos colaboradores. Em um cenário profissional em rápida evolução, nossas pesquisas, análises de tendências e guias práticos são ferramentas importantes para levar cada vez mais satisfação e saúde ao ambiente de trabalho.


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