Paradoxo da IA: profissionais mais avançados na tecnologia relatam o dobro de burnout, revela estudo do Wellhub
Última alteração 13 de out. de 2026

Pesquisa realizada em 10 países mostra que a transformação tecnológica exige das empresas preparação, suporte e bem-estar dos colaboradores, além de investimento em tecnologia
São Paulo, 14 de outubro de 2026 — Os profissionais que mais incorporaram a inteligência artificial à rotina de trabalho também estão entre os que relatam o maior aumento da carga de trabalho e do burnout no Brasil. É o que mostra a quinta edição do Panorama do Bem-Estar Corporativodo Wellhub, que ouviu mais de 5 mil profissionais em 10 países.
No Brasil, 37% dos Pioneiros em IA, grupo formado pelos profissionais com maior domínio da tecnologia, afirmam que o uso da tecnologia aumentou a carga de trabalho, contra 13% entre os Iniciantes, que ainda estão nos primeiros estágios de adoção das ferramentas de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, 23% dos Pioneiros relatam sintomas de burnout todos os dias, ante 11% dos Iniciantes.
Os dados apontam para um novo desafio para as empresas: os profissionais que estão na linha de frente dessa transformação também podem estar assumindo novas responsabilidades e pressões. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que a preparação para o uso da tecnologia, a clareza das políticas corporativas e o acesso a recursos de bem-estar estão associados a uma maior capacidade de adaptação às mudanças.
O paradoxo da produtividade: mais tecnologia, novas responsabilidades
A expectativa de que a tecnologia torne o trabalho mais eficiente contrasta com a experiência de parte dos profissionais que mais a dominam. Para os Pioneiros, o ganho de produtividade também vem acompanhado de novas responsabilidades.
No Brasil:
- 31% de todos os colaboradores afirmam que o uso da tecnologia na empresa aumentou sua carga de trabalho em vez de reduzi-la.
- Entre os Pioneiros, esse percentual sobe para 37%, contra 13% entre os Iniciantes.
- 82% dos Pioneiros orientam colegas sobre o uso das ferramentas, assumindo um papel informal de apoio além de suas próprias responsabilidades.
- 23% dos Pioneiros apresentam sintomas de burnout todos os dias, em comparação com 11% dos Iniciantes.
Os resultados indicam que a transformação não está apenas mudando as ferramentas utilizadas no trabalho, mas também quem assume parte da responsabilidade por ajudar a organização a se adaptar a elas.
Para compreender essas diferenças, o estudo dividiu os profissionais em três grupos de acordo com seu nível de domínio da inteligência artificial, considerando o uso, o conforto e a integração da tecnologia à rotina de trabalho:
- Pioneiros em IA: profissionais que usam IA como parte essencial do trabalho e ajudam ativamente outras pessoas a fazerem o mesmo.
- Adeptos da IA: usam IA com frequência, mas ainda não têm total confiança na integração.
- Iniciantes em IA: nunca usaram ferramentas de IA ou só experimentaram algumas vezes, muitas vezes com uma ansiedade real associada a isso.
Os Pioneiros representam 41% dos profissionais pesquisados, enquanto 32% são Adeptos e 26% são Iniciantes.
Preparação e liderança fazem diferença na adaptação à IA
Embora os Pioneiros absorvam mais pressão, eles também relatam maior acesso a suporte e níveis mais altos de bem-estar. Os dados reforçam a importância de preparar as pessoas para as mudanças, e não apenas disponibilizar novas ferramentas.
No Brasil, 77% dos colaboradores que trabalham em empresas com uma política clara e bem comunicada sobre o uso de inteligência artificial afirmam se sentir resilientes e capazes de se adaptar às mudanças, em comparação com 37% daqueles que sequer sabem se existe uma política em suas organizações.
A percepção de preparo também faz diferença. Entre os profissionais que se sentem preparados para trabalhar com a tecnologia, 87% afirmam se sentir resilientes e capazes de se adaptar ao ritmo das mudanças, ante 45% daqueles que não se sentem preparados.
Os resultados apontam para uma associação entre clareza, preparação e suporte e a percepção dos profissionais sobre sua capacidade de acompanhar um ambiente de trabalho em transformação.
Bem-estar como vantagem competitiva na era da IA
A transformação do trabalho acontece em um contexto no qual o bem-estar já ocupa um papel importante na relação entre profissionais e empresas.
Entre os Pioneiros, 75% afirmam que ter acesso a recursos de bem-estar ajuda a desempenhar melhor e a se adaptar a um ambiente de trabalho impulsionado pela tecnologia, em comparação com 17% dos Iniciantes.
No Brasil, 91% dos colaboradores afirmam que sairiam de uma empresa que não prioriza o bem-estar.
Esse resultado é consistente tanto entre profissionais mais avançados no uso de IA quanto entre aqueles que ainda estão começando a utilizar a tecnologia: 73% dos Pioneiros e 51% dos Iniciantes afirmam que deixariam uma empresa que não prioriza o bem-estar.
O dado mostra que a questão não se restringe a um perfil específico. Mesmo entre profissionais em diferentes estágios de maturidade no uso da tecnologia, o bem-estar aparece como uma condição para permanecer na organização.
Transformações no trabalho também afetam o bem-estar
Os dados brasileiros mostram que os efeitos dessa transformação vão além da relação com a tecnologia. Diferentes aspectos da rotina profissional também impactam a percepção de bem-estar dos colaboradores:
- 58% avaliam seu bem-estar geral como bom ou excelente.
- 38% afirmam que o tempo de tela está prejudicando seu sono, sendo esse o único fator relacionado ao bem-estar que apresenta piora consecutiva desde 2025.
- 60% estão atualmente em algum tipo de terapia ou aconselhamento, ante 37% em 2025.
- 52% dos Pioneiros utilizam ferramentas de inteligência artificial com frequência para o próprio bem-estar pessoal, em comparação com 9% dos Iniciantes.
Os dados mostram que a relação com a tecnologia também se estende à forma como os profissionais buscam cuidar de si mesmos, ao mesmo tempo em que novas demandas de trabalho aumentam a necessidade de suporte.
“Estamos vivendo um paradoxo. Nunca tivemos tanta tecnologia para aumentar nossa produtividade, mas isso não significa que as pessoas estejam trabalhando menos ou vivendo melhor. A inteligência artificial tem um potencial extraordinário, mas não podemos medir o sucesso dessa transformação apenas pela eficiência que ela gera. Precisamos olhar também para o impacto sobre as pessoas", diz Ricardo Guerra, líder do Wellhub no Brasil. "Acredito que as empresas mais competitivas serão aquelas que conseguirem combinar inteligência artificial com bem-estar humano. Não adianta investir em tecnologia de última geração e continuar tratando a saúde física e mental dos colaboradores como algo secundário. A tecnologia deve ampliar o potencial humano, não consumir ainda mais a nossa energia. Esse é um desafio estratégico para CEOs e líderes de RH”, complementa.
Metodologia
O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027 foi desenvolvido pelo Wellhub para avaliar o bem-estar dos profissionais em um ambiente de trabalho impulsionado pela inteligência artificial e entender como a adoção da tecnologia transforma suas necessidades e desempenho.
A pesquisa foi realizada entre 12 e 19 de junho de 2026, com mais de 5 mil profissionais em período integral, por meio de uma pesquisa online conduzida pela QuestionPro. Os participantes tinham 18 anos ou mais e haviam trabalhado em período integral nos três meses anteriores. A pesquisa considerou nível de confiança de 95% e margem de erro de 5%. Os percentuais podem não totalizar 100% devido a arredondamentos.
Índice de Domínio da IA varia de 0 a 9 e combina três dimensões:
- Uso de IA: frequência de utilização de ferramentas como ChatGPT, Copilot, Claude e Gemini, com pontuação de 0 a 3.
- Conforto com IA: nível de confiança no uso da tecnologia, também com pontuação de 0 a 3.
- Dependência de IA: concordância com nove afirmações sobre o uso da tecnologia no trabalho, com pontuação de 0 a 3 de acordo com o número de afirmações selecionadas.
A pontuação combinada define os três grupos:
- Pioneiros em IA: 41%, n=2.077, pontuação de 7–9.
- Adeptos da IA: 32%, n=1.627, pontuação de 4–6.
- Iniciantes em IA: 26%, n=1.317, pontuação de 0–3.
A pesquisa utilizou questões em escala Likert, múltipla escolha e seleção múltipla, totalizando 86 perguntas.
Foram ouvidos profissionais dos Estados Unidos, Reino Unido, Brasil, Argentina, Chile, Espanha, Itália, Alemanha, México e Romênia, com 500 a 505 respostas por país. Os conjuntos de perguntas e as opções de resposta foram adaptados para considerar benefícios e práticas de trabalho específicos de cada região.
Para acessar o Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027 na íntegra e conhecer todos os resultados da pesquisa, clique aqui.
Sobre o Wellhub
O Wellhub é um ecossistema de bem-estar corporativo que conecta colaboradores a mais de 120 mil parceiros de fitness, meditação, terapia, nutrição e sono, tudo em uma única assinatura, projetada para ter um custo menor do que contratar esses serviços individualmente. Mais de 60 mil empresas em 19 países utilizam o Wellhub para oferecer a milhões de colaboradores acesso a programas de bem-estar corporativo de alto impacto, comprovadamente eficazes em promover o engajamento e a adesão em larga escala. Com o Wellhub, os colaboradores podem cuidar do seu bem-estar todos os dias. O resultado é maior produtividade, maior retenção e redução dos custos com saúde. Esse é o Efeito Wellhub. Torne-se uma empresa de bem-estar hoje mesmo. Para mais informações, visite www.wellhub.com.
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