Bem-Estar Corporativo

Os desafios de bem-estar mais eficazes para janeiro

Última alteração 20 de jan. de 2026

Tempo de leitura: 20 minutos
Homem e mulher pedalando em bicicletas ergométricas em uma academia iluminada, com janelas grandes ao fundo e outros equipamentos visíveis, indicando uma aula ou treino de spinning.

Janeiro chega com cara de botão reset. E, no RH, isso quase sempre vira a mesma pergunta: qual desafio de bem-estar vai engajar de verdade desta vez?

O problema é que o começo do ano também cobra pedágio. As pessoas voltam à rotina, organizam prioridades e têm pouca paciência para iniciativas que parecem “mais uma tarefa” na agenda. Aí o desafio começa forte, perde fôlego na segunda semana e deixa o time de RH com a sensação de intenção sem resultado.

Só que janeiro pode virar vantagem quando a estratégia muda. Em vez de lançar algo grandioso, dá para criar desafios simples, de baixa fricção e fáceis de encaixar no dia a dia. Formatos como hidratação, passos, sono, pausas conscientes e conexão social funcionam melhor quando trazem regras claras, metas realistas e um jeito leve de acompanhar progresso sem pressão.

O início do ano não pede mais esforço. Pede um primeiro passo que caiba na vida real e ajude a construir constância para o resto de 2026. Eleve sua estratégia e escolha desafios que começam pequenos, mas deixam um impacto grande.

Banner promocional do Wellhub incentivando a criação de desafios de atividade física para colaboradores.

Por que janeiro merece atenção estratégica no bem-estar?

Dados globais e nacionais de 2025 mostram que a atenção das organizações em bem-estar está crescendo, mas ainda há lacunas importantes entre intenção e ação. O Health and Wellbeing at Work 2025, relatório do Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD), traz evidências de que programas sustentáveis de bem-estar — com apoio estrutural do RH e compatibilidade com a rotina real das pessoas — geram mais engajamento e melhores resultados do que iniciativas pontuais ou desconectadas do contexto de trabalho.

Outro relatório robusto é o Employee Wellbeing 360 Report 2025, que utiliza dados de mais de 50.000 pessoas em 182 países e identifica quatro pilares de bem-estar (produtividade, suporte organizacional, bem-estar individual e engajamento no trabalho) todos interrelacionados. Isso ajuda a explicar por que um desafio de bem-estar simples, claro e integrado à experiência diária do colaborador tem mais chances de sucesso do que um formato complexo ou genérico.

Além disso, análises de tendências globais, como o relatório Insights 2025: Trends, Challenges, and Opportunities in Global Workplace Health and Wellbeing, elaborado pelo Global Centre for Healthy Workplaces, mostram que organizações que conseguem alinhar práticas de bem-estar a políticas de longo prazo e indicadores de resultados tendem a ter maior resiliência organizacional e melhor desempenho geral.

No Brasil, dados sobre engajamento com o trabalho em 2025 reforçam o contexto atual: segundo levantamento recente da Caju, 2 em cada 3 profissionais no país estão desengajados no trabalho, indicando uma forte desconexão entre colaborador e organização e uma grande oportunidade para que iniciativas de bem-estar atuem como pontos de contato positivo entre RH e pessoas.

Tudo isso aponta para um insight importante: janeiro não é apenas um mês simbólico, é um momento decisivo para criar condições de engajamento que possam ser mantidas ao longo do ano.

Os fatores que definem o sucesso (ou fracasso) dos desafios de bem-estar

Desafios de bem-estar, por definição, são atividades estruturadas com um começo, meio e fim definidos — como um desafio de passos por 30 dias ou um desafio de sono por 21 dias. Eles funcionam bem quando:

  • São simples e de baixa fricção, exigindo pouco esforço extra da rotina diária.
  • Estão alinhados com as necessidades reais dos colaboradores.
  • Fazem parte de um plano maior de bem-estar, e não são tratados como ações isoladas.

Por outro lado, eles tendem a falhar quando:

  • Estão desalinhados com a experiência dos colaboradores.
  • Exigem esforço ou tempo que compete com a rotina de trabalho.
  • Não têm um objetivo claro, mensurável e comunicável desde o início.

Esses aprendizados estão em linha com o que organizações apontam como tendências de bem-estar para 2026: estratégias integradas, focadas na experiência do colaborador, têm taxas significativamente maiores de adesão e impacto.

Nesse sentido, o desafio não é apenas criar um desafio, é desenvolver algo que consiga combinar motivação de início de ano, simplicidade de participação e conexão com resultados reais de bem-estar.

O papel dos desafios de bem-estar na estratégia de RH

Nos últimos anos, os desafios de bem-estar deixaram de ser vistos apenas como ações pontuais de engajamento para ocupar um espaço mais estratégico dentro das áreas de RH. Em 2025, essa mudança ficou ainda mais evidente. Em vez de perguntar “qual desafio vamos lançar?”, muitas empresas passaram a se perguntar “como usamos desafios de bem-estar para criar hábitos e apoiar a cultura?”.

Essa mudança de perspectiva aparece com clareza nos dados. O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026, do Wellhub, mostra que a expectativa dos colaboradores evoluiu mais rápido do que as práticas das empresas. Embora a maioria reconheça o bem-estar como essencial para o desempenho e permanência no trabalho, apenas uma parcela reduzida afirma que as iniciativas atuais realmente ajudam a manter hábitos saudáveis no dia a dia. 

Isso reforça um ponto crítico: o formato da ativação importa tanto quanto o benefício oferecido. É nesse espaço que os desafios de bem-estar ganham relevância estratégica.

Desafios de bem-estar como ferramenta de ativação

Relatórios internacionais de 2025 mostram que as iniciativas de bem-estar mais eficazes têm algo em comum: elas são ativáveis, não apenas comunicáveis. O relatório Health and Wellbeing at Work 2025, do CIPD, destaca que programas com maior adesão são aqueles que traduzem a estratégia de bem-estar em ações simples, recorrentes e integradas à rotina, em vez de campanhas amplas e abstratas. O próprio estudo ressalta que colaboradores tendem a participar mais quando conseguem “experimentar” o cuidado na prática, e não apenas ouvir sobre ele.

Desafios de bem-estar cumprem exatamente esse papel. Eles funcionam como um mecanismo de ativação: oferecem um ponto de entrada claro, um período definido e uma ação concreta. Em vez de pedir grandes mudanças, convidam as pessoas a começar pequeno.

Esse aspecto é especialmente importante em janeiro, quando a intenção de mudança é alta, mas a capacidade de absorver novas demandas é limitada.

O que os dados dizem sobre engajamento e hábitos

Pesquisas recentes reforçam que o maior inimigo das iniciativas de bem-estar não é a falta de interesse, mas a falta de constância. O Employee Wellbeing 360 Report 2025, da Intellect, analisou dados de trabalhadores em mais de 180 países e mostrou que ações percebidas como fáceis de incorporar à rotina têm taxas significativamente maiores de continuidade ao longo do tempo.

O relatório também aponta que colaboradores tendem a se engajar mais quando sentem progresso rápido, mesmo que pequeno. Esse insight é essencial para entender por que desafios de bem-estar funcionam melhor do que iniciativas abertas e contínuas sem estrutura clara. Um desafio cria começo, meio e fim, e isso ajuda as pessoas a manterem o foco.

Outro dado relevante vem do State of the Global Workplace 2025, da Gallup. O relatório mostra que equipes mais engajadas têm maior probabilidade de participar de iniciativas oferecidas pela empresa, especialmente quando percebem apoio real da liderança e clareza sobre o propósito da ação. Ao mesmo tempo, a Gallup alerta que iniciativas isoladas, sem conexão com a cultura ou com o dia a dia do trabalho, têm impacto limitado. 

Isso reforça um ponto importante para o RH: desafios de bem-estar não funcionam sozinhos, mas podem ser extremamente eficazes quando inseridos em uma narrativa maior de cuidado e apoio.

Por que desafios de bem-estar fazem sentido no início do ano?

Janeiro aparece de forma recorrente nos relatórios de tendências como um momento-chave para ativação de hábitos. Uma análise publicada em 2025 pelo Global Wellness Institute sobre tendências de bem-estar no trabalho destaca que o início do ano é um dos poucos períodos em que existe abertura coletiva para testar novos comportamentos, desde que eles não sejam percebidos como radicais ou punitivos.

Isso ajuda a explicar por que desafios de curta duração, com metas realistas e foco em hábitos básicos, tendem a ter melhor desempenho em janeiro do que programas extensos ou altamente exigentes.

O próprio Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 reforça essa lógica ao mostrar que colaboradores valorizam iniciativas que respeitam seus limites, oferecem flexibilidade e reconhecem que bem-estar não acontece fora do trabalho, mas dentro da rotina real.

O risco de tratar desafios apenas como “campanha de janeiro”

Apesar do potencial, os dados de 2025 também mostram um alerta claro. Quando desafios de bem-estar são tratados apenas como ações sazonais, o impacto tende a ser superficial. O relatório Insights 2025: Trends, Challenges and Opportunities in Global Workplace Health, do Global Centre for Healthy Workplaces, aponta que empresas que concentram esforços apenas em momentos específicos do ano têm mais dificuldade em sustentar mudanças comportamentais no longo prazo.

Isso não quer dizer que os desafios de janeiro não tragam resultados, mas que eles são mais efetivos quando pensados como o início de um ciclo, e não como um evento isolado. Em vez de perguntar “qual desafio vamos lançar em janeiro?”, RHs mais maduros têm feito outra pergunta: “qual hábito queremos começar a construir agora, e como esse desafio nos ajuda a dar o primeiro passo?”.

Os desafios de bem-estar mais eficazes para janeiro

Escolher os desafios de bem-estar certos para janeiro não é sobre seguir modismos. É sobre entender o momento do colaborador, reduzir barreiras de entrada e criar experiências que façam sentido logo no início do ano.

O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 mostra que os colaboradores estão mais conscientes da importância do autocuidado, mas enfrentam obstáculos claros para manter hábitos saudáveis. Segundo o estudo, 50% citam falta de tempo como principal barreira, enquanto outros apontam baixa energia ou dificuldade de encaixar o bem-estar na rotina. Esse dado é essencial para orientar quais desafios funcionam melhor em janeiro.

Os desafios mais eficazes nesse período tendem a ser simples, acessíveis e fáceis de integrar ao dia a dia. A seguir, estão alguns dos formatos que melhor respondem a esse contexto.

Infográfico do Wellhub sobre 'Os melhores desafios de bem-estar para janeiro', exibindo oito categorias coloridas com ícones: hidratação, passos, perda de peso, sono, mindfulness, alimentação equilibrada, conexão social e bem-estar financeiro.

Desafio de hidratação

O desafio de hidratação costuma ser um dos mais eficazes para janeiro justamente por atacar um ponto básico do autocuidado. Após o período de festas, muitas pessoas buscam retomar hábitos simples, e beber mais água aparece como um primeiro passo natural.

O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 mostra que 82% dos colaboradores afirmam ter feito mudanças positivas em seus hábitos de vida no último ano, mas muitas dessas mudanças são interrompidas por falta de constância. Desafios de hidratação ajudam a criar essa constância inicial porque não exigem tempo extra, preparo físico ou mudanças complexas na rotina.

Além disso, estudos recentes sobre formação de hábitos indicam que comportamentos simples, quando reforçados diariamente e em grupo, têm maior chance de se manter ao longo do tempo, especialmente em ambientes coletivos como o trabalho, como aponta uma análise publicada pela Harvard T.H. Chan School of Public Health sobre hábitos saudáveis no dia a dia.

Desafio de passos

Entre os desafios de bem-estar mais conhecidos, o desafio de passos segue como um dos mais populares — e não por acaso. Caminhar é uma atividade acessível, democrática e compatível com diferentes modelos de trabalho, incluindo remoto e híbrido.

O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 mostra que 78% dos colaboradores praticam atividade física ao menos semanalmente, mas a falta de tempo continua sendo a principal barreira para maior regularidade. O desafio de passos funciona bem em janeiro porque incentiva movimento leve, distribuído ao longo do dia, sem exigir treinos longos ou infraestrutura específica.

Outro ponto relevante trazido pelo Panorama é o papel do coletivo: 53% dos colaboradores afirmam que se sentem mais motivados a adotar hábitos saudáveis quando fazem isso com outras pessoas. Desafios de passos, quando estruturados com foco em times ou metas coletivas, aproveitam esse fator social para aumentar a adesão.

Relatórios recentes da Organização Mundial da Saúde também reforçam que atividades físicas leves e consistentes, como caminhadas, são mais sustentáveis no longo prazo do que metas intensas logo no início do ano.

Banner do Wellhub divulgando o 'Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026' com tendências sobre o futuro do trabalho. Ao lado da capa do relatório, há destaques sobre engajamento e um botão rosa 'Acesse o estudo'.

Desafio de perda de peso

Desafios de perda de peso aparecem com frequência em janeiro, impulsionados pelo clima de resoluções de ano novo. No entanto, esse é um dos formatos que mais exige cuidado do RH.

O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 reforçaque 90% dos colaboradores relataram sintomas de burnoutno último ano, e iniciativas que aumentam pressão, comparação ou sensação de fracasso podem ir na contramão do bem-estar. Quando o foco está exclusivamente na balança, o risco de frustração e abandono é alto.

Por isso, empresas mais maduras têm revisitado esse tipo de desafio, mudando o foco de “perder peso” para construir hábitos saudáveis, como movimento regular, alimentação equilibrada e relação mais consciente com o corpo. Essa abordagem está alinhada às recomendações de entidades como o National Institute for Health and Care Excellence (NICE), que alerta para os efeitos negativos de metas exclusivamente baseadas em peso em programas de saúde.

Neste contexto, desafios de perda de peso só tendem a funcionar quando reposicionados como desafios de hábitos, com metas flexíveis, linguagem cuidadosa e foco em bem-estar integral.

Desafio de sono

Entre todos os pilares do bem-estar, o sono costuma ser um dos mais negligenciados e um dos mais impactantes. O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 mostra que 69% dos colaboradores dormem menos de sete horas por noite, e que o estresse e a ansiedade são os principais fatores que prejudicam a qualidade do sono.

Em janeiro, desafios de sono funcionam bem porque não exigem grandes mudanças imediatas, mas convidam à reflexão e a pequenos ajustes, como horários mais consistentes, redução de telas à noite ou criação de rotinas de desaceleração. São desafios especialmente relevantes em um momento de retorno à rotina, quando muitas pessoas ainda estão desreguladas após férias e festas.

Quando bem posicionados, esses desafios ajudam o RH a abordar o tema da recuperação e da energia de forma preventiva, antes que o cansaço acumulado vire queda de produtividade ou burnout.

Desafio de mindfulness ou pausas conscientes

O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 mostra que 57% dos colaboradores consideram o mindfulnessmuito importante, mas apenas uma parcela pequena consegue praticar de forma consistente. Isso evidencia um gap clássico entre intenção e ação — exatamente o tipo de espaço em que desafios de bem-estar fazem diferença.

Desafios de mindfulness em janeiro funcionam melhor quando são simples e realistas, focados em pausas curtas, respiração consciente ou momentos de atenção plena ao longo do dia. Eles não exigem longas sessões nem conhecimento prévio, o que reduz a resistência inicial.

Além disso, esse tipo de desafio dialoga bem com o cenário atual de excesso de estímulos, reuniões seguidas e dificuldade de concentração, ajudando os colaboradores a retomarem o controle do próprio ritmo logo no início do ano.

Desafio de alimentação equilibrada

Assim como os desafios de perda de peso, os desafios ligados à alimentação precisam ser tratados com cuidado. O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 mostra que 31% dos colaboradores citam o custo e 30% a falta de tempo como barreiras para uma alimentação mais saudável, o que reforça a importância de abordagens realistas.

Em janeiro, desafios de alimentação funcionam melhor quando o foco está em consciência e pequenas escolhas — como hidratação adequada, equilíbrio nas refeições ou atenção aos sinais de fome e saciedade — e não em dietas restritivas ou regras rígidas.

Esse tipo de desafio ajuda a reduzir a culpa associada ao período pós-festas e promove uma relação mais saudável com a comida.

Desafio de conexão social

Um dos achados mais fortes do Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 é o papel do componente social. 62% dos colaboradores afirmam que o apoio da comunidade é fundamental para manter hábitos saudáveis, e 56% dizem se sentir mais conectados durante atividades de bem-estar compartilhadas.

Desafios de conexão social ganham força em janeiro porque ajudam a reconstruir laços após períodos de afastamento, férias ou mudanças de time. Eles podem assumir formatos simples, como atividades em duplas, desafios em pequenos grupos ou ações que incentivem interações fora do contexto estritamente profissional.

Mais do que o conteúdo do desafio, o valor aqui está no vínculo criado. Em muitos casos, o senso de pertencimento gerado é o principal fator de continuidade do engajamento ao longo do ano.

Desafio de bem-estar financeiro

O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 mostra que 73% dos colaboradores sentem que sua situação financeira dificulta o investimento no próprio bem-estar, o que torna esse tema impossível de ignorar. Janeiro, marcado por despesas acumuladas e reorganização financeira, é um momento especialmente sensível.

Desafios de bem-estar financeiro não precisam envolver números detalhados ou exposição pessoal. Formatos focados em educação, planejamento simples ou hábitos financeiros saudáveis podem ajudar a reduzir ansiedade e aumentar a sensação de controle.

Quando bem posicionados, esses desafios ampliam a visão de bem-estar para além do físico e do mental, reforçando a ideia de cuidado integral.

O que todos esses desafios têm em comum

Apesar de diferentes focos, os desafios de bem-estar mais eficazes para janeiro compartilham algumas características centrais: baixo esforço inicial, adaptação à rotina real e possibilidade de vivência em grupo.

Não é o tipo de desafio que define o sucesso, mas o quanto ele respeita o momento do colaborador e cria condições reais para continuidade.

Como estruturar desafios de bem-estar que realmente engajam em janeiro

Depois de escolher os tipos certos de desafios de bem-estar para janeiro, o próximo passo (e o mais crítico) é a forma como esses desafios são estruturados. É aqui que muitos programas falham. Não por falta de boa intenção, mas por excesso de complexidade, expectativas irreais ou falta de conexão com a rotina real das pessoas.

Isso significa que qualquer iniciativa que dependa de esforço extra, longos compromissos ou mudanças bruscas já começa em desvantagem. Estruturar desafios eficazes em janeiro passa, antes de tudo, por aceitar essa realidade.

Começar pequeno é uma estratégia, não uma limitação

Um erro comum é acreditar que, por ser início de ano, o desafio precisa ser ambicioso. Na prática, acontece o contrário. Janeiro favorece desafios com escopo reduzido e metas claras, que ajudam as pessoas a ganhar ritmo antes de avançar.

Pesquisas recentes sobre mudança de comportamento reforçam esse ponto. Um relatório da McKinsey & Company de 2025 sobre como empregadores podem melhorar ambientes de trabalho mostra que iniciativas que geram pequenas vitórias iniciais aumentam significativamente a chance de continuidade e engajamento ao longo do tempo, especialmente em períodos de transição como o início do ano.

No contexto dos desafios de bem-estar, isso significa trocar metas perfeitas por metas possíveis. Menos intensidade, mais consistência.

Reduzir fricção é tão importante quanto motivar

Outro aprendizado central do Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 é que bem-estar precisa caber na rotina, e não competir com ela. Desafios eficazes são aqueles que se integram ao dia a dia do colaborador, sem exigir reorganizações profundas da agenda.

Isso envolve decisões simples, mas estratégicas: linguagem acessível, regras claras, duração limitada e flexibilidade para diferentes perfis. O Health and Wellbeing at Work Report 2025, do CIPD, reforça que programas percebidos como fáceis de participar têm taxas de adesão maiores do que iniciativas altamente estruturadas, porém rígidas.

Em janeiro, reduzir fricção é especialmente importante porque o retorno à rotina já consome energia suficiente.

O papel do coletivo no sucesso dos desafios

Quando o bem-estar é vivido de forma compartilhada, a adesão tende a ser maior. Iniciativas que envolvem outras pessoas — como times, duplas ou pequenos grupos — costumam gerar mais engajamento do que formatos totalmente individuais, porque estimulam pertencimento, troca e responsabilidade compartilhada.

Não se trata de promover competição intensa, mas de criar vínculos que sustentem a constância ao longo do tempo. Esse ponto também aparece em análises recentes da Gallup, que indicam que iniciativas coletivas têm maior impacto quando fortalecem conexões sociais no trabalho, especialmente em contextos híbridos e remotos.

Em janeiro, quando muitos vínculos ainda estão sendo retomados, esse efeito se torna ainda mais relevante.

Comunicação clara vale mais do que campanhas elaboradas

Outro erro comum é investir muito na campanha de lançamento e pouco na clareza da mensagem. Colaboradores tendem a responder melhor a comunicações simples, que explicam o “porquê” da iniciativa e deixam claro o que se espera deles, sem excesso de informação.

Iniciativas de bem-estar funcionam melhor quando a comunicação:

  • Deixa claro o objetivo da ação.
  • Explica como participar em poucos passos.
  • Reforça que não existe “jeito certo” ou desempenho ideal.

Essa abordagem reduz a ansiedade e aumenta a sensação de segurança, fatores essenciais para a adesão inicial.

Medir para aprender, não para pressionar

Por fim, iniciativas de bem-estar eficazes usam dados como ferramenta de aprendizado, não de cobrança. Acompanhar a evolução das ações ao longo do tempo permite ajustar formatos, corrigir rotas e ampliar o impacto de forma progressiva.

Métricas simples — como taxa de participação, frequência ou feedback qualitativo — ajudam o RH a entender o que funcionou e o que precisa mudar no próximo ciclo. Em janeiro, o objetivo não é provar ROI imediato, mas criar base para decisões melhores nos meses seguintes.

Essa lógica é reforçada por análises do Global Wellness Institute sobre programas corporativos bem-sucedidos, que destacam a importância de ciclos curtos de teste, aprendizado e ajuste.

De desafios pontuais a hábitos contínuos: como janeiro vira base para o ano todo

Lançar desafios de bem-estar em janeiro é relativamente fácil. O verdadeiro desafio para o RH começa depois: transformar essa ativação inicial em algo que se sustente ao longo do ano.

O Panorama do Bem-Estar Corporativo 2026 deixa claro que os colaboradores não estão buscando ações isoladas, mas apoio contínuo. O estudo mostra que apenas 44% afirmam que o bem-estar está realmente incorporado à cultura da empresa, mesmo com altos níveis de consciência sobre sua importância. No fim, o impacto real está em encarar essas iniciativas como o ponto de partida de um processo, não como um objetivo final.

Janeiro é valioso justamente por isso. Ele permite testar formatos, entender a adesão real e aprender com o comportamento das pessoas antes de escalar iniciativas mais amplas.

O que diferencia desafios que viram hábito dos que ficam pelo caminho

A diferença raramente está no tipo de desafio. Está na forma como ele se conecta com o dia a dia e com as decisões do RH ao longo do tempo.

Colaboradores tendem a manter hábitos quando percebem coerência entre discurso e prática. Quando a empresa oferece desafios de bem-estar, mas não cria espaço para pausas, flexibilidade ou autonomia, a mensagem perde força rapidamente.

Por outro lado, quando desafios são seguidos por pequenas continuidades — um novo ciclo, um ajuste no formato, uma conversa com líderes ou uma integração com benefícios existentes — eles passam a ser vistos como parte da experiência de trabalho, não como uma campanha isolada.

Janeiro como laboratório, não como vitrine

Um erro comum é tratar os desafios de janeiro como uma vitrine: algo que precisa “dar certo” de imediato. RHs mais maduros têm feito o oposto. Eles encaram janeiro como um laboratório controlado, onde é possível experimentar com menos risco.

O Panorama 2026 mostra que 64% dos colaboradores afirmam que hoje cuidam do bem-estar de forma mais intencional do que há cinco anos. Isso indica abertura para testar novos formatos, desde que eles façam sentido e respeitem limites.

Ao usar janeiro como fase de aprendizado, o RH consegue responder perguntas importantes:

  • Quais desafios geram mais adesão real?
  • Onde as pessoas abandonam?
  • Que formatos funcionam melhor em grupo?
  • O que cabe, de fato, na rotina?

Essas respostas são muito mais valiosas do que métricas isoladas de participação.

Como dar continuidade sem gerar fadiga

Transformar desafios em hábitos não significa lançar algo novo todo mês. Pelo contrário. Muitas vezes, significa simplificar.

O excesso de iniciativas é um dos fatores que mais gera fadiga e desengajamento. Por isso, a continuidade pode assumir formatos leves: repetir um desafio com ajustes, aprofundar um tema específico ou integrar o aprendizado do desafio a outras ações de bem-estar já existentes.

Esse cuidado ajuda a evitar o que muitos colaboradores percebem como “modismo de bem-estar” — quando a empresa muda de foco constantemente, sem consolidar nada.

O papel do RH ao longo do ano

Ao longo de 2026, o papel do RH tende a ser menos o de “criador de campanhas” e mais o de orquestrador de experiências de bem-estar. Os desafios de janeiro funcionam como ponto de partida para esse novo papel.

Quando bem utilizados, eles ajudam o RH a:

  • Criar diálogo com diferentes públicos.
  • Identificar necessidades reais.
  • Testar abordagens com baixo risco.
  • Construir uma base de confiança.

Tudo isso contribui para que o bem-estar deixe de ser uma pauta sazonal e passe a ser uma prática contínua.

Janeiro: o ponto de partida para hábitos de bem-estar que duram

Janeiro coloca o RH diante de um desafio claro: engajar pessoas em fase de retomada da rotina, com pouco espaço para iniciativas complexas e alta chance de abandono precoce.

Iniciativas de bem-estar geram mais impacto quando reduzem fricção e facilitam o primeiro passo. Começar pequeno, oferecer flexibilidade e respeitar a rotina real dos colaboradores ajuda a criar constância e engajamento desde o início do ano — não como um pico momentâneo, mas como base para hábitos mais sustentáveis.

Converse com um especialista do Wellhub para estruturar iniciativas de bem-estar em janeiro que gerem adesão real e apoiem a construção de hábitos ao longo de 2026.

Com Wellhub, seus colaboradores fazem um check-in de bem-estar todos os dias

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Referências


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Wellhub Editorial Team

A Equipe Editorial do Wellhub traz aos líderes de RH as informações necessárias para promover o bem-estar dos colaboradores. Em um cenário profissional em rápida evolução, nossas pesquisas, análises de tendências e guias práticos são ferramentas importantes para levar cada vez mais satisfação e saúde ao ambiente de trabalho.


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